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Título: Fatores associados ao conhecimento sobre o risco de contaminação de alimentos por gestantes atendidas em um Hospital Universitário de São Luís/MA
Título(s) alternativo(s): Factors associated with knowledge regarding the risk of food contamination among pregnant women receiving care at a university hospital in São Luís, Maranhão
Autor(es): CUNHA, Iane Mayara Froes da
Palavras-chave: conhecimento;
contaminação de alimentos;
gravidez.
Knowledge,
food contamination;
pregnancy.
Data do documento: 9-Jul-2026
Editor: Universidade Federal do Maranhão
Resumo: RESUMO Introdução: As doenças transmitidas por alimentos representam um grave problema de saúde pública, afetando de forma especialmente severa as gestantes, uma vez que as alterações imunológicas da gravidez aumentam a vulnerabilidade a patógenos como Listeria monocytogenes e Toxoplasma gondii. O conhecimento inadequado sobre segurança alimentar microbiológica durante a gestação pode resultar em graves consequências, como aborto, parto prematuro e morte fetal. Objetivo: Verificar os fatores associados ao conhecimento sobre o risco de contaminação de alimentos por gestantes atendidas em um hospital universitário de São Luís. Métodos: Trata de um estudo analítico do tipo transversal, realizado no Hospital Universitário Unidade Materno Infantil (HUMI) da Universidade Federal do Maranhão. Os dados foram coletados no período de junho de 2024 a agosto de 2025. Foram incluídas 180 gestantes em diferentes idades gestacionais (primeiro, segundo e terceiro trimestres) e que foram atendidas no ambulatório de obstetrícia do HUMI. Foram coletados dados socioeconômicos, demográficos, ambientais, clínicos e também conhecimentos sobre segurança alimentar. As variáveis quantitativas foram expressas por meio de média e desvio padrão, e as qualitativas por frequências e porcentagens. Para verificar a associação entre o nível de conhecimento e as variáveis independentes, aplicou-se o teste Qui-quadrado e, quando necessário (n<5), o Teste exato de Fisher. Para identificação dos fatores associados ao conhecimento sobre o risco de contaminação de alimentos, utilizou-se o modelo de regressão de Poisson, com estimativa das razões de prevalência (RP) e respectivos intervalos de confiança de 95%, adotando-se nível de significância de 5%. As análises foram realizadas no software estatístico Stata, versão 14.0. Resultados: Entre as 180 gestantes, a maioria tinha entre 20 e 34 anos (68,3%), estava no terceiro trimestre gestacional (61,1%) e possuía ensino médio completo (51,1%). Observou-se elevado conhecimento sobre práticas básicas de higiene, como lavagem das mãos (100%) e descarte de alimentos vencidos (99,4%). Entretanto, foram identificadas lacunas críticas: 75,6% consideraram o descongelamento em temperatura ambiente aceitável, 71,1% acreditavam que alimentos contaminados sempre apresentam cheiro ou sabor alterado, e apenas 5,6% reconheceram a Listeria monocytogenes como patógenos. O conhecimento sobre Toxoplasma gondii foi maior (72,8%), possivelmente pela realização de triagem sorológica no pré-natal. A escolaridade foi o principal preditor independente de conhecimento satisfatório, as gestantes de ensino superior completo apresentaram razão de prevalência de 0,54 (IC 95%: 0,36–0,80; p=0,002) em relação àquelas com ensino fundamental incompleto. O planejamento da gestação (RP=1,22; IC 95%: 1,01–1,48; p=0,044) e a realização do pré-natal exclusivamente no HUMI (RP=1,86; IC 95%: 1,31–2,64; p=0,001) também se associaram positivamente ao maior nível de conhecimento. Conclusão: Gestantes atendidas no HUMI apresentaram conhecimento parcial e heterogêneo sobre os riscos microbiológicos na alimentação, com lacunas críticas especialmente em relação à Listeria monocytogenes, Campylobacter e práticas de descongelamento e armazenamento de alimentos. A escolaridade e o planejamento da gestação estiveram associados a menor prevalência em relação às lacunas de conhecimento sobre segurança alimentar, enquanto o local de realização do pré-natal também se mostrou relevante. Esses achados evidenciam a necessidade de incorporação sistemática de conteúdo sobre segurança alimentar microbiológica nas rotinas de consultas de pré-natal, visando mitigar os riscos de desfechos gestacionais adversos. ABSTRACT Introduction: Foodborne diseases represent a serious public health problem, affecting pregnant women in a particularly severe way, since the immunological changes of pregnancy increase vulnerability to pathogens such as Listeria monocytogenes and Toxoplasma gondii. Inadequate knowledge about microbiological food safety during pregnancy can result in serious consequences, such as miscarriage, preterm birth, and fetal death. Objective: To verify the factors associated with knowledge about the risk of food contamination among pregnant women attended at a university hospital in São Luís. Methods: This is a cross-sectional analytical study conducted at the Maternal and Child Health University Hospital (HUMI) of the Federal University of Maranhão. Data were collected from June 2024 to August 2025. A total of 180 pregnant women at different gestational ages (first, second, and third trimesters) attended at the HUMI obstetrics outpatient clinic were included. Socioeconomic, demographic, environmental, and clinical data, as well as knowledge about food safety, were collected. Quantitative variables were expressed as mean and standard deviation, and qualitative variables as frequencies and percentages. To verify the association between the level of knowledge and the independent variables, the Chi-square test was applied and, when necessary (n<5), Fisher's exact test. To identify the factors associated with knowledge about the risk of food contamination, a Poisson regression model was used, with estimation of prevalence ratios (PR) and respective 95% confidence intervals, adopting a significance level of 5%. Analyses were performed using Stata software, version 14.0. Results: Among the 180 pregnant women, the majority were between 20 and 34 years old (68.3%), were in the third gestational trimester (61.1%), and had completed high school (51.1%). A high level of knowledge was observed regarding basic hygiene practices, such as handwashing (100%) and discarding expired food (99.4%). However, critical gaps were identified: 75.6% considered thawing food at room temperature acceptable, 71.1% believed that contaminated food always presents an altered smell or taste, and only 5.6% recognized Listeria monocytogenes as a pathogen. Knowledge about Toxoplasma gondii was higher (72.8%), possibly due to serological screening performed during prenatal care. Education level was the main independent predictor of satisfactory knowledge, with women who had completed higher education presenting a prevalence ratio of 0.54 (95% CI: 0.36–0.80; p=0.002) relative to those with incomplete elementary education. Having planned the pregnancy (PR=1.22; 95% CI: 1.01–1.48; p=0.044) and receiving prenatal care exclusively at HUMI (PR=1.86; 95% CI: 1.31–2.64; p=0.001) were also positively associated with a higher level of knowledge. Conclusion: Pregnant women attended at HUMI showed partial and heterogeneous knowledge about microbiological risks in food, with critical gaps especially regarding Listeria monocytogenes, Campylobacter, and food thawing and storage practices. Education level and pregnancy planning were associated with a lower prevalence of knowledge gaps regarding food safety, while the location of prenatal care also proved relevant. These findings highlight the need for the systematic incorporation of microbiological food safety content into routine prenatal care consultations, aiming to mitigate the risks of adverse pregnancy outcomes.
URI: http://hdl.handle.net/123456789/10889
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