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http://hdl.handle.net/123456789/10967| Título: | CONFLITO DE INTERESSES E A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: Uma análise da atuação do Poder Judiciário nas relações familiares judicializadas |
| Título(s) alternativo(s): | CONFLICT OF INTEREST AND THE PROTECTION OF THE RIGHTS OF PERSONS WITH DISABILITIES: An analysis of the Judiciary's role in family matters subject to judicial proceedings |
| Autor(es): | TELES, Lyzia Lis Araújo |
| Palavras-chave: | pessoas com deficiência; persons with disabilities; direitos fundamentais; fundamental rights; relações familiares; family relations; conflito de interesses; conflict of interest; Poder Judiciário Judiciary |
| Data do documento: | 7-Jul-2026 |
| Editor: | UFMA |
| Resumo: | Este trabalho analisa a atuação do Poder Judiciário nas relações familiares judicializadas que envolvem pessoas com deficiência, com ênfase nas situações de conflito de interesses entre a pessoa com deficiência e os demais sujeitos processuais. O objetivo geral consiste em analisar a atuação do Poder Judiciário nas relações familiares judicializadas que envolvem pessoas com deficiência, à luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Lei Brasileira de Inclusão e dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade material, identificando os avanços e as resistências que caracterizam essa atuação no contexto do conflito de interesses. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-documental, com emprego do método dedutivo e recurso à análise bibliográfica, normativa e jurisprudencial. A pesquisa jurisprudencial foi realizada por busca temática nas ferramentas de pesquisa do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, sem recorte temporal predefinido, priorizando decisões relacionadas à deficiência, à capacidade civil e às relações familiares judicializadas. O referencial teórico articula a doutrina constitucional e civilista sobre direitos fundamentais, capacidade jurídica e Direito de Família, os dados empíricos produzidos pelo Conselho Nacional de Justiça sobre as demandas envolvendo pessoas com deficiência e a teoria do reconhecimento de Axel Honneth, como chave interpretativa das formas de desrespeito produzidas pelos modelos históricos de incapacitação. Os resultados demonstram que o paradigma normativo instaurado pela Convenção e pela Lei Brasileira de Inclusão, fundado na presunção de plena capacidade civil, na excepcionalidade da curatela e na centralidade da autonomia da pessoa com deficiência, ainda enfrenta resistências significativas na prática jurisdicional, evidenciadas pela prevalência do modelo médico de avaliação da deficiência nos processos judiciais, pela utilização predominantemente burocrática dos institutos de proteção e pela sistemática não escuta da pessoa com deficiência nas decisões que afetam sua vida familiar. A análise jurisprudencial revela, contudo, avanços relevantes, especialmente nas decisões do Superior Tribunal de Justiça que consolidaram a preferência da tomada de decisão apoiada em relação à curatela, vedaram a utilização de manobras processuais em prejuízo de pessoa com deficiência alimentanda e reconheceram o dever familiar de estimulação precoce como obrigação juridicamente exigível. Conclui-se que a efetividade da proteção das pessoas com deficiência nas relações familiares judicializadas depende da capacidade do Poder Judiciário de romper com a cultura jurídica que historicamente identificou a deficiência com a incapacidade, concretizando, em cada processo, o reconhecimento da pessoa com deficiência como sujeito pleno de direitos e protagonista de sua própria existência. |
| Descrição: | This study analyzes the role of the Judiciary in judicialized family relations involving persons with disabilities, with emphasis on situations of conflict of interests between the person with disability and the other procedural subjects. The general objective is to examine the Judiciary's performance in such relations in light of the Convention on the Rights of Persons with Disabilities, the Brazilian Law of Inclusion, and the constitutional principles of human dignity and substantive equality, identifying the advances and resistances that characterize this performance in the context of conflicts of interest. The research adopts a qualitative approach of a theoretical and documentary nature, employing the deductive method through bibliographic, normative, and case law analysis. The case law research was conducted through thematic searches in the jurisprudence databases of the Superior Court of Justice and the Court of Justice of the Federal District and Territories, without a predefined time frame, prioritizing decisions related to disability, legal capacity, and litigated family relations. The theoretical framework articulates constitutional and civil law doctrine on fundamental rights, legal capacity, and Family Law; empirical data produced by the National Council of Justice on demands involving persons with disabilities; and Axel Honneth's theory of recognition as an interpretive key to the forms of disrespect engendered by historical models of incapacitation. The results demonstrate that the normative paradigm established by the Convention and the Brazilian Law of Inclusion, grounded in the presumption of full legal capacity, the exceptionality of guardianship, and the centrality of the autonomy of persons with disabilities, still faces significant resistance in jurisdictional practice, as evidenced by the prevalence of the medical model in judicial assessments of disability, the predominantly bureaucratic use of protective legal instruments, and the systematic failure to hear persons with disabilities in decisions affecting their family lives. The case law analysis reveals, however, relevant advances, particularly in decisions of the Superior Court of Justice that consolidated the preference for supported decision-making over guardianship, prohibited the use of procedural maneuvers to the detriment of persons with disabilities receiving alimony, and recognized the family duty of early stimulation as a legally enforceable obligation. It is concluded that the effectiveness of the protection of persons with disabilities in judicialized family relations depends on the Judiciary's capacity to break with the legal culture that has historically equated disability with incapacity, giving concrete expression, in each case, to the recognition of the person with disability as a full subject of rights and the protagonist of their own existence. |
| URI: | http://hdl.handle.net/123456789/10967 |
| Aparece nas coleções: | TCC de Graduação em Direito do Campus de Imperatriz |
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